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Pré de Phono Thorens MM-002 - Review Clube do Áudio

8 de setembro de 2022 – Reviews

Fernando Andretti.

Pré de Phono Thorens MM-002.

Algo que eu vi crescer bastante nos últimos anos foi a quantidade de fabricantes hi-end de toca-discos de vinil. Estou falando de criações que oscilam entre obras de arte moderna e obras top de engenharia - e, às vezes, os dois ao mesmo tempo! Alguns preceitos básicos de peso, mistura de materiais, tratamento de vibrações e ressonâncias e tolerâncias baixíssimas para as partes móveis, mecânicas, além da sempre almejada alta precisão de velocidade, passaram a ser a bíblia, o guia do empreendedor, para a fabricação de toca-discos hi-end e ultra-hi-end. Acho ótimo, pois é nesse processo que se descobre novos materiais e tecnologias, e suas devidas sonoridades,

De um tempo para cá também notei, para a minha alegria, que vários empreendedores resolveram fazer toca-discos de qualidade para o mercado de entrada. Vejam bem, quando eu falo mercado de entrada, não estou falando de toca-disco de plástico para pessoas que acham uma imitação barata de painel de carro da década de 50 algo bacana.

Estou falando de vários toca-discos com preços pagáveis, mas com tecnologia, soluções e sonoridade suficiente para que qualquer audiófilo com um sistema de entrada possa cair de cabeça  no maravilhoso mundo do vinil. E o que, além de um toca-discos e cápsula decentes, um audiófilo desses vai precisar? De um pré de phono decente, claro. E o Thorens MM-002 pode ser um desses!

Sobre a Thorens.

Nome conhecido dos amantes de vinil, a Thorens começou em Sainte-Croix, na Suiça, em 1883, como um negócio familiar especializado em caixinhas de música e mecanísmos de corda. Em 1903 começou a produzir fonógrafos e em 1928 fez o primeiro toca-discos com motor elétrico. Nesse meio tempo produziu desde gaitas até isqueiros. Nas décadas de 1950 e 1960, a empresa ficou famosa Pré de phono Thorens MM-002 teste áudio 2 por projetar toca-discos que, até hoje, são altamente considerados pelos audiófilos (como os modelos TD 124, 125, 126 e 160).

Com a ‘volta’ do vinil, a Thorens voltou a projetar e produzir toca-discos em 2006, primeiro usando braços da inglesa Rega, depois com seus próprios braços, como os que equipam hoje os modelos 203, 206, 209, 309 e TD 2035.

Sobre o MM-002.

O MM-002 é um pré de phono extremamente simples, sem regulagem alguma, com ganho somente para cápsulas de saída alta - nominalmente as cápsulas tipo MM (Moving Magnet) - mas também trabalha bem com cápsulas tipo HOMC (High Output Moving Coil) ou seja, cápsulas MC que tem saída alta, saída semelhante a de uma MM. O pré MM-002 tem tamanho diminuto, e vem em uma caixinha de metal extremamente simples e despojada - o que é uma maneira bonitinha de dizer não-bonita.

Setup e Compatibilidade.

Devido a seu tamanho, acredito que a maioria dos usuários deixará o MM-002 atrás de algum aparelho em seu rack, assim sua falta de beleza acaba também não incomodando. Me agradou muito o silêncio de fundo desse pré, o silêncio de operação.

A compatibilidade do MM-002 é grande com as cápsulas MM disponíveis no mercado, como Ortofon, Shure, Stanton e uma série de Audio Technicas, por exemplo. Mas, as séries especiais da Ortofon (como 2M Bronze e 2M Black) assim como modelos mais sofisticados da Audio Technica (como AT440MLa), e outras MM sofisticadas e mais modernas, poderão soar mais magras ou com menos graves no MM-002, devido à essas cápsulas terem uma definição de agudos e detalhamento maiores, devido à elas terem mais agudos. Nada crítico, e é algo que pode ser dosado achando o cabo de interconexão ideal para se ligar o MM-002 ao seu amplificador ou receiver.

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Sistema.

Durante os testes do pré de phono Thorens MM-002 foi usado o pré de fono Sunrise Lab The PhonoStage II Special Edition como referência. Os toca-discos usados foram o Technics SP-10 com braço Linn Basik, e o Technics SL-1100 com braço SME Series III, com as cápsulas Ortofon 2M Bronze, Audio Technica DR300E e Stanton 681EEE. O amplificador integrado foi o Sunrise Lab V8 MkIII. As caixas foram as bookshelf Konforti Audio Aleph e as torres Dynaudio Focus 220 II ‘by Sunrise Lab’. Os cabos de interconexão e fono foram Sunrise Lab linhas Reference II, os cabos de força Transparent PowerLink MM2, Nanotec e Sunrise Lab Reference, e os cabos de caixa Transparent Reference XL MM2.

Como Toca.

O equilibrio tonal do MM-002 é bastante honesto, com uma extensão de graves compatível com o aparelho, graves com bom peso e impacto, que por vezes soam um pouco magros ou deficientes em alguns discos cujos graves foram gravados secos, comprimidos - algo típico em gravações de rock. Um exemplo é o disco Document (MoFi) do grupo americano REM, cujos bumbo e baixo perdiam peso, deixando o disco soando pequeno, magro e, por vezes, ligeiramente agressivo na área média.

Os médios do MM-002 tem um timbre e presença bonitos e os agudos uma boa quantidade de ar e extensão - que combinados com o silêncio de fundo resultam muito limpos e bastante detalhados.

Certamente a melhor característica desse equipamento é sua reprodução da ilusão de palco, que em todas as gravações tem boa ambiência, o palco é corretamente recuado, com excelente reverberação e sem embolar. Para testar essa impressão, eu fui ouvir de novo a gravação de rock comprimido da década de 80: o disco Document (MoFi) da banda americana REM, e fiquei surpreso com a boa separação entre os instrumentos, o foco e o silêncio de fundo!

A texturas providas pelo MM-002 são boas, com pratos bem detalhados e aveludados, mesmo em gravações comprimidas como Tales of Mystery and Imagination (20th Century) do grupo de rock inglês Alan Parsons Project. Aqui também, em uma faixa, o baixo dobra com um sintetizador, e é possível perceber bem as texturas geradas pelo oscilador do sintetizador. Da mesma maneira, em outra faixa, um efeito meio robótico dado à voz por um sintetizador, também é apresentado com excelente textura.

Os transientes do MM-002 são bem definidos mesmo, deixando instrumentos e intencionalidades bem claros, como a bateria no disco Shades of Dring (Cambria Records), que tem arranjos jazzísticos para a música de Madeleine Dring. Não só a macro-dinâmica do MM-002 me surpreendeu positivamente, como também sua capacidade micro-dinâmica de não embolar, de não misturar nas partes mais complexas da gravação da Sinfonia nº 1 “Titan” (Telarc) de Gustav Mahler com a Sinfônica de Saint Louis sob a regência de Leonard Slatkin. Até dá alguns sustos com as entradas mais fortes da orquestra, e seus crescendos estão ótimos! Se saiu muito bem!

Já o estranho caso do corpo harmônico do MM-002 é o seguinte: temos corpos muito bons nos graves e médios-graves, assim como as vozes, guitarras e alguns metais como o saxofone estão muito bons para essa categoria de equipamento, estão bonitos. Mas do médio-agudo para cima, pegando as notas mais altas do piano, flautas e pratos, os corpos harmônicos são menores, faltando um pouco de harmônicos, não acompanhando o resto. Isso fica claro na gravação Mister Heartbreak (Warner) da multi-instrumentista Laurie Anderson: graves bons, vozes decentes, mas muitos efeitos de sintetizador e do violino elétrico, assim como persussões que não chegam no mesmo patamar de corpo.

Um outro exemplo interesse é com música orquestral: Sinfonia nº 1 “Titan” (Telarc) com Leonard Slatkin regendo a Sinfônica de Saint Louis - instrumentos médioagudos e agudos soam um pouco recuados demais, pequenos lá no fundo do palco. O exemplo da Laurie Anderson acima não chega a incomodar, mas o MM-002 não se dá tão bem com música orquestral devido à característica mais recuada e ambiental desse tipo de música: o mais difícil de reproduzir, na minha opinião.

Conclusão.

O pré de phono Thorens MM-002 é uma excelente opção para os ouvintes de jazz, MPB, música de câmara e música instrumental que procuram bom timbre, boas vozes e cordas e um excelente palco! 

 

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ref.  Edição 219
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